A Influência Das Cores No Design E Na Experiência Do Usuário Quem está começando a trabalhar com Design de UX costuma se focar em elementos que merecem uma atenção prioritária: conteúdo, formas, fluxos de navegação etc. Porém, sabia que as cores também fazem muita diferença na percepção de interfaces e fluxos digitais interativos? Neste artigo especial sobre a influência das cores na Experiência do Usuário, vamos conversar sobre os efeitos da teoria da cor na relação humana com a tecnologia e como utilizar os tons certos em qualquer situação. Acompanhe. Qual é a importância das cores no Design de Experiências? Antes de começarmos de fato, gostaríamos apenas de deixar uma reflexão para quem está começando na área: nenhum elemento de Design é acidental em uma boa UX. A função do designer é exatamente encontrar a melhor combinação de cores, formas e conceitos e sintetizá-los em uma experiência atrativa, informativa e engajante para o público-alvo daquela interação. A teoria das cores é a ciência por trás da racionalização dos efeitos de tons em variadas situações e como elas podem aplicar intenções e induzir o usuário a ações específicas, muitas vezes sem que ele sequer se dê conta disso. Repare nisso quando for visitar um site ou utilizar um aplicativo. Não são apenas os textos e formas que estão guiando sua experiência. As cores também. E isso faz toda a diferença para uma interface de sucesso. Quais são os efeitos das cores na Experiência do Usuário? A teoria das cores fala sobre a influência delas no comportamento humano, mas que efeitos são esses exatamente? Existem três formas com que elas atuam que podem ser trabalhadas pelo designer para induzir sentimentos, expectativas e desejos nos usuários. Veja a seguir. Efeitos psicológicos Uma das bases da teoria da cor é o poder de influenciar a psicologia humana, suficiente para criar áreas inteiras de estudo médico como a cromoterapia. Dependendo dos tons e suas combinações, as cores podem evocar sentimentos fortes, como raiva e paixão, ou moderados, como calma e tristeza. Esses efeitos vêm da interação do estímulo com outros componentes que formam nossa psique: memória, raciocínio, até nosso ego. Efeitos emocionais Entender essas relações é muito importante para que você reforce os sentimentos certos para levar o usuário a fixar uma marca na mente ou realizar determinadas ações de engajamento. Os efeitos emocionais causados pelas cores são diretamente relacionados aos psicológicos. Afinal, os sentimentos são o resultado de nossa mente processando um estímulo interno em relação à nossa percepção interna. Quer um exemplo muito utilizado no mercado? Pela própria natureza da moda, é comum que algumas cores sejam associadas a determinados anos de nossas vidas. Como nos anos 1990, em que se usavam muito cores vivas e primárias. Ao utilizar paletas que estavam em voga em uma época, você ativa intencionalmente a nostalgia em perfis de público que valorizam muito o período. E nostalgia é um sentimento muito potente para o engajamento. Efeitos fisiológicos Por fim, os efeitos fisiológicos das cores são aqueles que geram alguma reação física no organismo pela interação com determinados tons. Sim, as cores conseguem influenciar nossas ações. Por exemplo, cores quentes podem gerar um estado energizado no corpo, com alterações que aumentem a atenção, o impulso ou até a fome. Como utilizar as cores para uma UX exemplar? Agora que você entende o poder das cores na Experiência do Usuário, podemos passar para a prática. A cor que você vai escolher em cada projeto vai depender de uma série de passos técnicos que todo designer deve conhecer. Veja quais são. Saiba utilizar as cores de acordo com a persona Você já deve ter ouvido falar sobre alguns efeitos das cores de uma forma mais arbitrária: vermelho remete a sentimentos mais intensos, como paixão e raiva, azul é associado com calma ou tristeza e assim por diante. Embora essas influências sejam reais e mensuráveis, é preciso levar em conta também as diferenças socioculturais que mudam a percepção de cada cor de acordo com o perfil de cliente que sua experiência quer atingir. Um exemplo muito utilizado para exemplificar esse cuidado é a cor do luto nos países asiáticos. Em lugares como Japão, China e Índia, as pessoas vestem branco para representar a perda de uma pessoa amada. É o contrário para nós, que vestimos preto. Ou seja, a mesma cor pode ser recebida de forma bem diferente dependendo do histórico, da origem e da cultura daquela pessoa. Portanto, sempre busque o máximo de informações possível da buyer persona relacionada àquela experiência. Lembre-se da estratégia da sua marca Os designers mais valorizados são aqueles que conseguem combinar a expectativa do cliente com a identidade da marca, criando uma conexão imediata. Sempre parta dessa relação para desenhar sua UX. As cores de uma marca não são escolhidas aleatoriamente, elas também buscam influências específicas no público-alvo. Mas você não precisa se limitar aos tons utilizados pela empresa. A teoria da cor pode ser utilizada em várias abordagens: tons análogos, complementares, alto-contraste, cores primárias, secundárias e terciárias etc. A UX que mais encanta é aquela que é familiar, mas, ao mesmo tempo, surpreende os usuários. Utilize ferramentas para auxiliar na escolha das cores Para criar essas relações de cores que acabamos de descrever, existem ferramentas online que facilitam muito o trabalho do designer. Elas automatizam a disposição de tons de acordo com o tipo de harmonia que você quer criar. Veja exemplos: Coolors; Canva; Adobe Color; Muzli. Faça testes Por mais que a teoria das cores seja bastante estudada, é impossível prever com precisão o efeito dos tons em uma UX. Afinal, cada usuário tem uma expectativa e uma intenção, e suas experiências pessoais podem influenciar muito no resultado da interação. Portanto, sempre teste várias hipóteses para chegar nas cores que proporcionam o maior engajamento. Os testes A/B são um método muito eficiente nesse sentido. Estude sempre Da mesma forma que nossos hábitos e comportamentos mudam com o tempo, a influência das cores em nossa psique também sofre alterações. Ou seja, o que funciona hoje não vai funcionar para sempre. Portanto, faça o trabalho que todo designer tem para a vida inteira: continue se atualizando. Busque tendências de